sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ficha de Avaliação de leitura silenciosa e oral

FICHA DE AVALIAÇÃO DE VELOCIDADE DE LEITURA SILENCIOSA E ORAL

Nome:__________________________________________________________________________
Idade:_________     Data de nascimento:___________ Data da realização da avaliação: ________
Série: (  ) 1ª   (  ) 2ª   (  ) 3ª   (  ) 4ª
Escola pública (    )      privada (    ) ___________________________________________________
Repetência: (  ) Não   (  ) Sim          Série?_____________________________________________

Avaliação da velocidade de Leitura Silenciosa

(Condemarin & Blomquist, 1989)

®        Nº palavras lidas:_______________
Primeiros 5 min:_______________
Nº palavras/min:________________

®        Questões:

1- Qual o problema ou conflito que o pai tinha?                                (  ) S                       (  ) N
2- Qual a profissão escolhida por cada filho?                    (  ) S                       (  ) N
3- Qual prova foi considerada a melhor?                            (  ) S                       (  ) N
4- O que aconteceu quando o pai morreu?                        (  ) S                       (  ) N
5- Qual a prova que o barbeiro fez?                                     (  ) S                       (  ) N

(  ) Compreensão parcial do texto                        
(  ) Compreensão total do texto
(  )  Sem compreensão

Avaliação da velocidade de Leitura Oral

(Capellini & Cavalheiro, 2000)


®        Nº palavras lidas:_______________
Primeiros 5 min:_______________
Nº palavras/min:_______________

®   Tipo de leitura:   (  ) global (  ) silabada          (  ) pausada

®        Nível de leitura:  (  ) logográfica (  ) alfabética  (  ) ortográfica              

®        Questões;

1- Aonde o cãozinho estava preso?                      (  ) S                       (  ) N
2- Qual o novo nome do cãozinho?                      (  ) S                       (  ) N
3- Como os pais de Afonsinho descobriram
     que Chapisco era Charles?                                               (  ) S                       (  ) N
4- Afonsinho devolveu Chapisco?                        (  ) S                       (  ) N
5- O que Afonsinho fez em Chapisco um dia
     antes de devolve-lo?                                           (  ) S                       (  ) N

(  ) Compreensão parcial do texto                        
(  ) Compreensão total do texto
(  ) sem  compreensão

Índices para comparação:

1ª série
Média de velocidade
2ª série
Média de velocidade
3ª série
Média de velocidade
4ª série
Média de velocidade
Leitura Oral
39.12 ppm
71.04 ppm
73.78 ppm
97.94 ppm
Leitura silenciosa
37.72 ppm
82.44 ppm
70.66 ppm
107.4 ppm
    Legenda: ppm - palavras por minuto. Dados obtidos  por:
    ** Barros, AFF; Capellini, AS. Avaliação fonológica, de leitura e escrita em crianças com Distúrbio Específico
            de Leitura. Jornal Brasileiro de Fonoaudiologia, Curitiba, v.4, n.14, p. 11-19, 2003.

Leitura Silenciosa
Os Três Irmãos
        Um velho tinha três filhos, mas como todos os seus bens limitavam-se a uma casa,  que lhe fora dada por seus pais, não era capaz de decidir-se a vendê-la a fim de dividir o produto da venda entre seus filhos. Nessa dúvida ocorreu-lhe uma idéia.
        __ Aventure-se pelo mundo – disse-lhes -; aprendam um ofício que lhes permita viver, e quando tiverem terminado essa aprendizagem se apressem em regressar; aquele de vocês que der a prova mais convincente de sua habilidade, herdará a casa.
        Em conseqüência dessa decisão, foi fixada a partida dos três irmãos. Decidiram que um se tornaria ferreiro, outro barbeiro, e o terceiro mestre em armas. Logo fixaram o dia e a hora para encontrar-se e voltar juntos ao lar paterno. Combinado isso, partiram.
       Ocorreu que os três irmãos tiveram a boa sorte de encontrar cada um  hábil mestre no ofício que queriam aprender. Assim foi que o nosso ferreiro não demorou a encarregar-se de ferrar os cavalos do rei, de modo que pensava com seus botões: “Meus irmãos terão de ser muitos hábeis para ganhar a casa para si”.
       Por outro lado, o jovem barbeiro logo teve por clientes os mais importantes senhores da corte, de modo que já estava certo de ficar com a casa sob as barbas de seus irmãos.
       Quanto ao mestre de armas, antes de conhecer todos os segredos de sua arte, teve de receber mais de uma estocada,  mas a recompensa prometida valia a pena, e ele exercitava sua vista e sua mão.
        Quando chegou a época fixada para o regresso, os três irmãos reuniram-se no lugar combinado e juntos tomaram o caminho rumo a casa de seu pai.
        Na mesma tarde de seu retorno, enquanto estavam os quatro sentados diante da porta da casa, viram uma lebre que vinha em direção a eles, correndo pelo campo, travessamente.
        _ Bravo! – disse o barbeiro. – Eis aqui um cliente que vem a calhar para dar-me ocasião de demonstrar minha habilidade.
       Pronunciando estas palavras, nosso homem pegou o sabão e a tigela e preparava sua espuma branca. Quando a lebre chegou perto, correu em sua perseguição, alcançou-a, e enquanto corria lado a lado do ligeiro animal, ensaboou seu focinho e rapidamente, de uma só passada, tirou-lhe os bigodes, sem fazer-lhe o menor corte e sem omitir o pêlo mais pequenino.
      _ Eis aqui algo bem feito! – disse o pai. – Muito hábeis terão de ser teus irmãos para tirar-te a casa.
       Alguns instantes depois viram chegar a toda velocidade um lindo cavalo atrelado a um coche ligeiro.
         _ Vou dar-lhes uma mostra de minha habilidade – disse por sua vez o ferreiro.
         Dizendo isso lançou-se sobre o rastro do cavalo, e ainda que este redobrasse sua velocidade, tirou-lhe as quatro ferraduras, as quais trocou por outras quatro; tudo isso em menos de um minuto, da maneira mais confortável do mundo e sem diminuir o passo do cavalo.
         _ És um grande artista – exclamou o pai - , pode estar tão certo de teu negócio como teu irmão está do seu, e realmente não seria capaz de decidir qual dos dois merece mais a casa
­        _ Esperem que eu tenha feito minha prova – disse então o terceiro filho.
        Nesse momento começou a chover. Nosso homem tirou a espada e pôs-se a efetuar círculos tão rápidos sobre sua cabeça, que nenhuma gota de água caiu sobre ele. A chuva aumentou em intensidade, logo pareceu que a derramavam com baldes do céu. No entanto nosso mestre de armas, que havia se limitado a fazer girar sua espada cada vez mais rapidamente, mantinha-se seco sob sua arma, como se estivesse sob um guarda-chuva ou sob um teto. Vendo isso, a admiração do feliz pai chegou à culminância e ele exclamou:
        _ És tu quem deu a mais surpreendente prova de habilidade, és tu aquele ao qual corresponde a casa.
        Os dois maiores aprovaram essa decisão e juntaram seus elogios aos de seu pai. Depois, como os três queriam-se muito, não quiseram separar-se e continuaram vivendo juntos na casa paterna, onde cada um exercia seu ofício. A fama de sua habilidade estendeu -se e logo ficaram ricos. É assim que viveram felizes e considerados até idade avançada. E quando por último o maior faleceu; os outros dois sentiram tal tristeza que não levaram muito tempo para segui-lo. Receberam honrarias fúnebres. O médico do lugar disse com razão que três irmãos que em vida viveram-se dotados de tão grande habilidade e estiveram unidos com um amor firme, não deviam ficar separados na morte. Portanto foram sepultados juntos.









































































Leitura Silenciosa
Os Três Irmãos – ficha do avaliador
        Um velho tinha três filhos, mas como todos os seus bens limitavam-se a uma casa,  que lhe fora dada por seus pais, não era capaz de decidir-se a vendê-la a fim de dividir o produto da venda entre seus filhos. Nessa dúvida ocorreu-lhe uma idéia.
        __ Aventure-se pelo mundo – disse-lhes -; aprendam um ofício que lhes permita viver, e quando tiverem terminado essa aprendizagem se apressem em regressar; aquele de vocês que der a prova mais convincente de sua habilidade, herdará a casa.
        Em conseqüência dessa decisão, foi fixada a partida dos três irmãos. Decidiram que um se tornaria ferreiro, outro barbeiro, e o terceiro mestre em armas. Logo fixaram o dia e a hora para encontrar-se e voltar juntos ao lar paterno. Combinado isso, partiram.
       Ocorreu que os três irmãos tiveram a boa sorte de encontrar cada um  hábil mestre no ofício que queriam aprender. Assim foi que o nosso ferreiro não demorou a encarregar-se de ferrar os cavalos do rei, de modo que pensava com seus botões: “Meus irmãos terão de ser muitos hábeis para ganhar a casa para si”.
       Por outro lado, o jovem barbeiro logo teve por clientes os mais importantes senhores da corte, de modo que já estava certo de ficar com a casa sob as barbas de seus irmãos.
       Quanto ao mestre de armas, antes de conhecer todos os segredos de sua arte, teve de receber mais de uma estocada,  mas a recompensa prometida valia a pena, e ele exercitava sua vista e sua mão.
        Quando chegou a época fixada para o regresso, os três irmãos reuniram-se no lugar combinado e juntos tomaram o caminho rumo a casa de seu pai.
        Na mesma tarde de seu retorno, enquanto estavam os quatro sentados diante da porta da casa, viram uma lebre que vinha em direção a eles, correndo pelo campo, travessamente.
        _ Bravo! – disse o barbeiro. – Eis aqui um cliente que vem a calhar para dar-me ocasião de demonstrar minha habilidade.
        Pronunciando estas palavras, nosso homem pegou o sabão e a tigela e preparava sua espuma branca. Quando a lebre chegou perto, correu em sua perseguição, alcançou-a, e enquanto corria lado a lado do ligeiro animal, ensaboou seu focinho e rapidamente, de uma só passada, tirou-lhe os bigodes, sem fazer-lhe o menor corte e sem omitir o pêlo mais pequenino.
      _ Eis aqui algo bem feito! – disse o pai. – Muito hábeis terão de ser teus irmãos para tirar-te a casa.
       Alguns instantes depois viram chegar a toda velocidade um lindo cavalo atrelado a um coche ligeiro.
         _ Vou dar-lhes uma mostra de minha habilidade – disse por sua vez o ferreiro.
         Dizendo isso lançou-se sobre o rastro do cavalo, e ainda que este redobrasse sua velocidade, tirou-lhe as quatro ferraduras, as quais trocou por outras quatro; tudo isso em menos de um minuto, da maneira mais confortável do mundo e sem diminuir o passo do cavalo.
         _ És um grande artista – exclamou o pai - , pode estar tão certo de teu negócio como teu irmão está do seu, e realmente não seria capaz de decidir qual dos dois merece mais a casa
­        _ Esperem que eu tenha feito minha prova – disse então o terceiro filho.
        Nesse momento começou a chover. Nosso homem tirou a espada e pôs-se a efetuar círculos tão rápidos sobre sua cabeça, que nenhuma gota de água caiu sobre ele. A chuva aumentou em intensidade, logo pareceu que a derramavam com baldes do céu. No entanto nosso mestre de armas, que havia se limitado a fazer girar sua espada cada vez mais rapidamente, mantinha-se seco sob sua arma, como se estivesse sob um guarda-chuva ou sob um teto. Vendo isso, a admiração do feliz pai chegou à culminância e ele exclamou:
        _ És tu quem deu a mais surpreendente prova de habilidade, és tu aquele ao qual corresponde a casa.
        Os dois maiores aprovaram essa decisão e juntaram seus elogios aos de seu pai. Depois, como os três queriam-se muito, não quiseram separar-se e continuaram vivendo juntos na casa paterna, onde cada um exercia seu ofício. A fama de sua habilidade estendeu -se e logo ficaram ricos. É assim que viveram felizes e considerados até idade avançada. E quando por último o maior faleceu; os outros dois sentiram tal tristeza que não levaram muito tempo para segui-lo. Receberam honrarias fúnebres. O médico do lugar disse com razão que três irmãos que em vida viveram-se dotados de tão grande habilidade e estiveram unidos com um amor firme, não deviam ficar separados na morte. Portanto foram sepultados juntos.




           


Leitura Oral

As Travessuras de Afonsinho


Todas as tardes costumava passear com seu cãozinho de rodas pelas ruas do bairro.
Certa vez, num desses passeios, Afonsinho deu de encontro a um pequeno cãozinho de verdade preso num poste. Era um cão de raça, sem dúvida, e muito bem tratado. O cão devia pertencer a alguém muito rico, pois trazia na coleira uma inscrição em prata com o nome: “Charles”.
_ Coitadinho, observou o menino – quem teve a coragem de deixá-lo assim sozinho...preso? E logo travou amizade com Charles. Ambos pareciam conhecer-se há muito tempo. O cãozinho abanava o rabo e lambia os pés de seu novo amigo como quem toma uma taça de sorvete.
Afonsinho sempre quisera ter um cãozinho daquele, mas não para prendê-lo daquela maneira. Pensou então em levá-lo consigo...
_ Não, isso seria roubo, pensou.
_ Quem sabe se o seu dono quisesse vendê-lo? Isso! Vou esperá-lo aqui. Mas logo perdeu o ânimo... – Um cãozinho desses deve custar muito caro ... não adianta esperar.
Bastou um gesto de Afonsinho para que Charles compreendesse que naquele momento perderia o amigo. E Charles chorou como nunca, parecia pedir que Afonsinho o levasse. O menino, que também não queria abandoná-lo, pensou o seguinte:
_ Bem, quem deixa um cãozinho preso a um poste não se incomodará se o cãozinho for de brinquedo, assim não será um roubo, e sim uma “troca”.
Afonsinho libertou Charles de seu cativeiro e colocou em seu lugar o cãozinho de rodas que trazia consigo, nele pendurando a inscrição que era de Charles.
E lá foi Afonsinho para casa com um cãozinho de verdade no colo.
Ao chegar em casa, todos cobriram-lhe de perguntas: “Quem lhe deu esse cão?”, “Aonde o encontrou?” e outras perguntas de adulto...
Afonsinho então respondeu que uma fada havia transformado seu cãozinho de rodas num cãozinho de verdade. É claro que ninguém acreditou, e todos passaram a desconfiar dele...
Charles ganhou um novo nome: Chapisco.
Chapisco era mais unido a Afonsinho que à sua própria sombra... até futebol ele jogava!
Uma semana depois da “troca” surgiu um anúncio no jornal em letras graúdas: “Procura-se: cão de raça de pêlo isso, cor-de-mel, que atende pelo nome de Charles. Paga-se bem a quem o encontrar. Urgente: O cão foi inscrito numa exposição de cães de luxo .
Aquele anúncio explodiu como uma bomba na casa de Afonsinho, e fizeram-no prometer que no dia seguinte devolveria o cão ao seu antigo dono. Afonsinho teve de concordar, mas não aceitaria a recompensa porque ele não tinha querido “seqüestrar” o cão e sim ser seu amigo.
À noite não conseguiu dormir. Ficou todo o tempo abraçado com Charles prolongando a despedida... mas de súbito, como um clarão surgiu uma idéia na cabecinha marota de Afonsinho.
Afonsinho correu para o banheiro, pegou o tubo de “tintura para cabelos” da sua mãe, alguns rolinhos e mãos à obra! Tingiu o pêlo de Chapisco de um marrom bem escuro e depois enrolou todo o pêlo formando cachinhos miúdos. O coitado do cão perdeu todo o charme dos “pêlos lisos cor-de-mel”!
Quando o dia ainda estava clareando Afonsinho foi para o seu quarto, bêbado de sono, acompanhado do seu fiel e transformado amigo.
Chegou a hora de ir devolver o cão. Afonsinho colocou Chapisco numa sacola ela se foi...
Chegando à casa do dono de Charles, bateu à porta e um criado o atendeu.
_ O que deseja garoto?
_ Vim devolver o seu cão, li o anúncio no jornal e sei que hoje é o dia da exposição. E mostrou Chapisco, ou Charles, ao criado. Este, indignado, só faltou bater em Afonsinho...
_ Está pensando o quê, que vai me enganar com este vira-latas para ganhar a recompensa? Pois não vai, não! Este não é o Charles. Olhe só esse pêlo horrendo! Garanto que nem atende pelo nome de Charles, quer ver?
E o homem gritou o nome de Charles em vão, nem queria se lembrar dele.
_ Fora daqui menino! Esse cão é seu, não é o nosso Charles!
   Era isto mesmo que Afonsinho queria, e Chapisco também. O que diria quando chegasse em casa? Que uma bruxa o havia transformado? Se não acreditaram na primeira história não acreditaria na segunda. Diria a verdade e pronto!
   Mesmo que lhe custasse algumas palmadas...
            Chapisco era seu, não um objeto para exposição, mas um verdadeiro companheiro.







































































Leitura Oral

As Travessuras de Afonsinho – ficha avaliador

Todas as tardes costumava passear com seu cãozinho de rodas pelas ruas do bairro.
Certa vez, num desses passeios, Afonsinho deu de encontro a um pequeno cãozinho de verdade preso num poste. Era um cão de raça, sem dúvida, e muito bem tratado. O cão devia pertencer a alguém muito rico, pois trazia na coleira uma inscrição em prata com o nome: “Charles”.
_ Coitadinho, observou o menino – quem teve a coragem de deixá-lo assim sozinho...preso? E logo travou amizade com Charles. Ambos pareciam conhecer-se há muito tempo. O cãozinho abanava o rabo e lambia os pés de seu novo amigo como quem toma uma taça de sorvete.
Afonsinho sempre quisera ter um cãozinho daquele, mas não para prendê-lo daquela maneira. Pensou então em levá-lo consigo...
_ Não, isso seria roubo, pensou.
_ Quem sabe se o seu dono quisesse vendê-lo? Isso! Vou esperá-lo aqui. Mas logo perdeu o ânimo... – Um cãozinho desses deve custar muito caro ... não adianta esperar.
Bastou um gesto de Afonsinho para que Charles compreendesse que naquele momento perderia o amigo. E Charles chorou como nunca, parecia pedir que Afonsinho o levasse. O menino, que também não queria abandoná-lo, pensou o seguinte:
_ Bem, quem deixa um cãozinho preso a um poste não se incomodará se o cãozinho for de brinquedo, assim não será um roubo, e sim uma “troca”.
Afonsinho libertou Charles de seu cativeiro e colocou em seu lugar o cãozinho de rodas que trazia consigo, nele pendurando a inscrição que era de Charles.
E lá foi Afonsinho para casa com um cãozinho de verdade no colo.
Ao chegar em casa, todos cobriram-lhe de perguntas: “Quem lhe deu esse cão?”, “Aonde o encontrou?” e outras perguntas de adulto...
Afonsinho então respondeu que uma fada havia transformado seu cãozinho de rodas num cãozinho de verdade. É claro que ninguém acreditou, e todos passaram a desconfiar dele...
Charles ganhou um novo nome: Chapisco.
Chapisco era mais unido a Afonsinho que à sua própria sombra... até futebol ele jogava!
Uma semana depois da “troca” surgiu um anúncio no jornal em letras graúdas: “Procura-se: cão de raça de pêlo isso, cor-de-mel, que atende pelo nome de Charles. Paga-se bem a quem o encontrar. Urgente: O cão foi inscrito numa exposição de cães de luxo .
Aquele anúncio explodiu como uma bomba na casa de Afonsinho, e fizeram-no prometer que no dia seguinte devolveria o cão ao seu antigo dono. Afonsinho teve de concordar, mas não aceitaria a recompensa porque ele não tinha querido “seqüestrar” o cão e sim ser seu amigo.
À noite não conseguiu dormir. Ficou todo o tempo abraçado com Charles prolongando a despedida... mas de súbito, como um clarão surgiu uma idéia na cabecinha marota de Afonsinho.
Afonsinho correu para o banheiro, pegou o tubo de “tintura para cabelos” da sua mãe, alguns rolinhos e mãos à obra! Tingiu o pêlo de Chapisco de um marrom bem escuro e depois enrolou todo o pêlo formando cachinhos miúdos. O coitado do cão perdeu todo o charme dos “pêlos lisos cor-de-mel”!
Quando o dia ainda estava clareando Afonsinho foi para o seu quarto, bêbado de sono, acompanhado do seu fiel e transformado amigo.
Chegou a hora de ir devolver o cão. Afonsinho colocou Chapisco numa sacola ela se foi...
Chegando à casa do dono de Charles, bateu à porta e um criado o atendeu.
_ O que deseja garoto?
_ Vim devolver o seu cão, li o anúncio no jornal e sei que hoje é o dia da exposição. E mostrou Chapisco, ou Charles, ao criado. Este, indignado, só faltou bater em Afonsinho...
_ Está pensando o quê, que vai me enganar com este vira-latas para ganhar a recompensa? Pois não vai, não! Este não é o Charles. Olhe só esse pêlo horrendo! Garanto que nem atende pelo nome de Charles, quer ver?
E o homem gritou o nome de Charles em vão, nem queria se lembrar dele.
_ Fora daqui menino! Esse cão é seu, não é o nosso Charles!
   Era isto mesmo que Afonsinho queria, e Chapisco também. O que diria quando chegasse em casa? Que uma bruxa o havia transformado? Se não acreditaram na primeira história não acreditaria na segunda. Diria a verdade e pronto!
   Mesmo que lhe custasse algumas palmadas...
            Chapisco era seu, não um objeto para exposição, mas um verdadeiro companheiro.



































































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